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Quem foi a primeira pessoa que te enxergou?
Sobre livros fofinhos, fitas cassete e o poder do acolhimento
Você sabe dizer quem foi a primeira pessoa que te enxergou? Que desvendou a sua essência antes mesmo de você saber que tinha uma.
Recentemente, minha madrinha me contou uma história que me fez dar um nó na garganta e, ao mesmo tempo, entender muita coisa sobre o Nino que escreve estas linhas hoje.
Nas palavras dela: “Eu lembro de uma bienal que eu fui, você tinha 1 ano e pouco... E eu trouxe e livros... Um era um carinho e os outros eram bichinhos... Seu pai riu.... Ahhh ele nem vai pegar... Vc largou o brinquedo e foi brincar com os livros que eram fofinhos”
Desde então, fiquei pensando nisso. Em como ela, antes mesmo dos meus pais, conseguiu enxergar em mim, ainda bebê, uma mente inquieta, criativa, curiosa e apaixonada pelas palavras. Ela não tinha como prever minha reação, mas, de alguma forma, plantou uma semente. Talvez ela tenha me enxergado porque, no fundo, não somos tão diferentes.
Foi ela quem me apresentou A Família Dinossauro e Uma Cilada para Roger Rabbit ainda na fita cassete, me apresentando produções que mais tarde moldaram os meus gostos e me encaminhariam para séries, filmes, livros e tudo o mais ainda mais fantásticos. (Fica aqui uma curiosidade: sou apaixonado por produções audiovisuais com fantoches, animatrônicos e tudo o que há nesse meio, assim como sou vidrado em animações até hoje.)
O mais bonito é que ela não parou de me enxergar quando eu cresci. Mesmo quando nossos caminhos e gostos pessoais já não eram os mesmos, ela continuou lá se fazendo presente mostrando que me entendia.
Minha madrinha me levou às exposições sobre as coisas que eu amava — Castelo Rá-Tim-Bum, Turma da Mônica —, me acompanhou em todas as CCXPs, mesmo sem ser uma grande fã, se ofereceu para me levar à um show da minha novela favorita da pré-adolescência e se sentou ao meu lado no meu primeiro musical ao vivo, Wicked — saindo cheia de questionamentos engraçados.
Ela sempre me deu presentes que eram a minha cara, porque ela gastava tempo aprendendo quem eu era, estando nós dois próximos ou apenas conectados pela internet.
Mas mais do que presentes físicos, ela me ajudou a viver experiências que expandiram a minha visão de mundo, me colocaram próximas às minhas paixões e sempre me incentivou a ser a minha melhor versão, me lembrando sempre do orgulho que sente de mim.
Muitas vezes, na vida adulta, reclamamos que as conexões são superficiais (como eu já disse em outra newsletter, lembra?). Mas histórias como a dela me lembram que o acolhimento não é sobre ter os mesmos interesses, mas sobre validar o interesse do outro. Ela não estava apenas me dando ingressos ou livros; ela estava criando as memórias que me sustentam hoje. Por ela ter me enxergado tão bem, foi fácil para ela ser ela mesma comigo quando precisou.
E eu gostaria de ter publicado essa reflexão mais cedo neste mês, porque o aniversário dela foi no dia 14, mas a procrastinação me impediu. Até hoje, quando penso nela, quando vejo fotos antigas nossas e as novas nas redes sociais, tudo o que eu sinto é alegria, por ter o privilégio de ser afilhado de uma das melhores pessoas do mundo.
Às vezes, a gente passa a vida tentando ser visto por estranhos, quando a nossa fundação foi construída por alguém que, silenciosamente, nos deu um "livro fofinho" e sorriu quando a gente o escolheu.
Sobre a escrita…
Vou ser sincero, a ansiedade tem me impedido de continuar. O medo de decepcionar quem esoclher as minhas próximas histórias, o medo de m decepcionar no processo e o pavor d enem conseguir fazer justiça aos personagens que vivem na minha cabeça são paralisantes. Mas continuo tentando, eu prometo.
Para o ano que vem quero me dedicar mais a trazer coisas inéditas para essa newsletter, mas também oferece novas histórias curtas enquanto aprendo mais sobre meus amados ginastas e bailarinos. Par aisso, acredito que visitar histórias antigas é importante. Então, se preparem.
Quer apoiar meu trabalho enquanto isso?
Lendo e Comprando: Você pode encontrar meus livros na Amazon. Ler pelo Kindle Unlimited me ajuda muito, e ter o livro na estante ajuda ainda mais!
Engajando: Um comentário ou um compartilhamento nas redes sociais é o "livro fofinho" que você me dá hoje. Isso aumenta o alcance do meu trabalho de formas que você nem imagina.
No Instagram: Se quiser ver um pouco mais desses bastidores (e quem sabe uma foto antiga de bienal?), chega lá no meu canal!
No próximo ano, a newsletter deve mudar um pouco o formato e trazer coisas mais interessantes além dos meus pensamentos hahahaha.
Agradeço pelo apoio de sempre. Feliz 2026! E que nunca nos falte quem nos enxergue e nem lascas de parede.